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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Palhacinha Psicóloga

Foto: Cintia Liana apresentando teatro de fantoches em abrigo de crianças de Salvador.

Em 2007 resolvi eu mesma me vestir de palhaça e animar um abrigo de crianças em Salvador-BA.
Eu e minha mãe, *Walkíria Andrade, artista plástica e arteterapeuta, criadora dos bonecos de espuma utilizados, nos vestimos de palhaça e, com o auxílio de mais duas funcionárias do Juizado de Menores, onde eu trabalhava, apresentamos um teatro de fantoches, escrito pelo poeta e cordelista *Jotacê Freitas, e depois dançamos, cantamos, rimos e nos divertimos muito.

Era a oportunidade de falarmos para as crianças sobre os objetivos de um programa promovido pela Vara da Infância no Dia das Crianças.

As crianças tão lindas, felizes com abraços sinceros, palavras de carinho e motivação, para terem sempre esperança de dias melhores.

É incrível como um abraço sem máscaras ou couraças pode causar tantos sorrisos.

Foto: Cintia Liana com sua mãe Walkíria em abrigo de crianças de Salvador.


Foto: Cintia Liana vestida de palhaça anima abrigo de crianças de Salvador.
Fotos: Cintia Liana

*http://www.divadaarte.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Comece pelo Mundo


Foto: Google Imagens

Estive pensando ontem que essa frase feita, "para mudar a sociedade devemos começar mudando o nosso próprio comportamento", é muito medíocre.
Essa é uma frase bem "batidinha", que é falada ou que deve ser falada somente por pessoas bem ignorantes, de um nível bem baixo, incluindo os de classe econômica alta, pois baixo nível está na alma. Deve ser falada por ou para pessoas que jogam lixo na rua, fazem fofoca, difamam e caluniam os outros, falam alto, tratam mal pessoas que consideram inferiores, desperdiçam água, não enxergam o próximo, dizem ao filho que ele tem que ser "esperto" e outras tantas bem feias.
Falo que é uma frase medíocre diante de pessoas que estão em outro nível, no de estar mais atento ás necessidades do planeta, que é sensível à situlidade e que reconhece a futilidade.
Para quem está neste outro nível, quer mudar a sociedade? Por que não começar por ela? Faça um trabalho social, se doe a quem tem menos, a quem precisa! Faça um trabalho sem receber dinheiro em troca, faça só por algum ideal! Se é que tem algum. Talvez se mude pessoalmente bem mais rápido. Porque a consciência também pode chegar desta forma, quando nos sentimos tocados pelas necessidades dos outros, quando nos dispomos a somar.
Por mais que sejemos corretíssimos sempre há uma ficha por cair, sempre teremos algo a melhorar, então nunca chegaremos a ajudar o outro se ficarmos somente em nós.
Eu diria, comece por você, mas não pare em você! Chega de alimentar seu próprio umbigo. Se envolva com o mundo.
Sei que tem gente tão errado, que só em se auto ajustar já estaria ajudando a gente demais. Mas, geralmente, esse discurso de que você deve primeiro mudar seu comportamento me remete a preguiça e desinteresse em olhar o próximo, em auxiliar um necessitado.
Normalmente é algum burguês desassumido e ignorante que fala isso, porque nem quer mudar sua mentalidade, denunciar injustiças e muito menos fazer nada por ninguém, ou melhor, quem mesmo? Ele não vê ninguém que não esteja em seu próprio mundo, ele só deseja que o denunciante cale a boca para que a potente voz não corra o risco de fazer desmoronar seu castelinho de ilusões, de sorrisos, falsidade, mentira e dinheiro.
Quando se diz “comece mudando o seu comportamento”, parece que seu processo vai demorar tanto que quando você terminar já será velho demais para fazer algo pelos outros. Isso em meu dicionário se chama egoísmo, porque o estágio seguinte é tão importante quanto esse primeiro e pode ser visto até como o principal, pois dividindo podemos sair do nosso pequeno planeta chamado “individualismo” e enxergar uma necessidade em crescer e se ganhar uma força motriz capaz de transforma toda uma existência.
O tempo não pode esperar, se você para se torna alienado e o mundo passa por cima, consequentemente você fica lá, perdido, em alguma esquina da terra do nunca, nunca vai fazer nada por ninguém e nunca será lembrado.

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Foto: Cintia Liana cede entrevista à TVE

 
1º de abril de 2010.
 
Por Cintia Liana

sábado, 20 de março de 2010

Bufões do Carnaval

Foto: Google Imagens


Só pelo fato de ser brasileira e baiana tenho que gostar de carnaval e axé music? Por que sou obrigada? Sou chata por não gostar? Pra mim seria mais fácil achar que sou medíocre se gostasse, acharia que sou comum, a senhorita clichê.

Sim! Já experimentei, fui ao carnaval em cima do trio elétrico, num bloco e camarote, ri, dancei, me diverti, mas viver uma vida inteira fazendo isso todo ano é no mínimo um saco e demasiadamente embaraçante para alguém que preza por ter a consciência expandida.

Uma pessoa que passa a vida inteira fumando, bebendo, freqüentando o bingo e pensando do mesmo modo, com as mesmas idéias e posturas para mim é a mesma coisa de alguém que passa um vida inteira, todos os anos, esperando pelo carnaval, o tal do Trivela, do Ensaio Geral, Bonfim Light, lavagem de não sei o quê, blá blá blá... A cada ano inventam um nome mais “chic” para chamar tal festa popular que é tomada pela burguesia cafona e idiota de Salvador, que paga caro para entrar na festinha, desfilar a roupa da moda, os músculos conquistados na academia, mostrar que bebe whisky importado de R$100,00 e ouvir uma bandinha mais idiota ainda cantar “eu sou do carnaval”, “eu sou feliz”, “eu sou solteiro”, “eu sou baiano”... Que pobreza... E o povão fica de fora, na rua, no meio do lixo, do xixi, por que não é “VIP” e ainda diz que se divertiu.

Que "VIP" nada...! Pessoa importante é outra coisa, é bem diferente de ter dinheiro e estar no "melhor" camarote (nome brega; termo antigo de cunho separatista) ou poder pagar a “melhor” festa. Ser importante está no pensar, no sentir, no mudar. Importante é outra coisa, é fazer diferente, é ter consciência, é saber inovar, ter o que ensinar e estar sempre atento a aprender.

Acontece que esse ano tive o privilégio de passar o carnaval na Itália e amei! Amei não porque me senti uma VIP ou diferente por estar na Europa mas, ou contrário, porque não tive que engolir “guela” abaixo o carnaval do Brasil batendo na minha crítica testa que tinha que “me ver na Globo”, através da mídia, comércio e da sociedade.

Esse ano não ouvi músicas de escola de samba e nem assisti àquele povo dançando na TV como se fosse alguma novidade. Ah, não tive que assistir Big Brother e nem sei quem são as pessoas que participaram e nem se a palhaçada acabou. Melhor ainda, não tive que esperar ansiosamente pelo lançamento e muito menos escutar as “novas” e originais músicas das bandas baianas cantando aêaê, samba aê, rebola aê, quebra aê, rala aê e finalmente bunda aê. Uma criatividade que motiva qualquer erudito.

Falando sério, que delícia não ter que me engasgar com esse desaforo emburrecedor anual! Que bom me dar o direito de não fazer parte deste tipo de “verão”.
Pensando sobre o carnaval e estando longe dele há mais de 10 horas de avião, me conscientizei impactantemente desta grande perda de tempo, uma euforia louca, maluquice, o povo bebendo, se drogando, menores se prostituindo, as mulheres se exibindo, querendo ser as gostosas, os homens igualmente, mostrando os musculos e querendo ser os garanhões, o pobre catando lata, ganhando alguns centavos vendendo cerveja, brigando na rua, o povo fazendo filho, sendo roubado, os empresários ganhando rios de dinheiro, a virose solta no ar e pergunto pra quê?
Não venha me dizer que precisa ver teu ídolo todo o ano em cima do trio e que isso é maravilhoso! Mas você o ama mais que a si mesmo? Isso é mais importante que pensar no sentido de tudo, em como mudar essa sociedade intelectualmente tão pobre?

Maior festa popular do mundo segundo o Guines Boock, a maior concentração de gente nas ruas de Salvador, o que poderia ser um desastre em outra situação, em outro País, mas em Salvador é o carnaval.

No Rio o povo unido na Sapucaí torcendo por uma escola de samba que trabalhou durante todo o ano para competir também tem sua beleza, mas acontece que o carnaval se tornou uma espécie de embriaguês repetitiva e impensada, imposta como normalíssima e necessária, e na verdade é uma droga, uma válvula de escape para uma catarse coletiva, equivocada, mal colocada e alienada. O povo sai do normal e tudo passa a ser brincadeira, todos viram crianças eufóricas, extasiadas com alguns dias onde tudo pode acontecer, tudo é permitido, onde o ego do pai crítico deixa a casa para os ratos fazerem a festa.

Esse ano foi especial no carnaval, me senti desintoxicada, e esse sentimento me trouxe uma espécie de sensação de liberdade, uma libertação de algo pesado e imposto subliminarmente, imposto pela cultura e nível mental de todo um povo e de uma elite que domina perfeitamente a maioria. Pena que para ser livre da imposição do carnaval tive que vir para a Europa ou então teria que ir para o meio do mato e jogar fora o aparelho de TV, mas nem na Chapada Diamantina se pode estar livre.

Já me chamaram de utópica quando um dia falei que achava que o mundo deveria parar totalmente, nada de Copa do Mundo, Olimpíadas ou coisa parecida, que primeiro deveríamos matar a fome do povo; reformar o sistema carcerário; resolver a questão do tráfico de drogas; da segurança pública; da saúde; da educação; construir casas para quem mora nas ruas; encaminhar as crianças abandonadas, que crescem nos abrigos, para adoção; criar empregos; cursos profissionalizantes para os jovens; colocar essas iniciativas como prioridade absoluta e tornar realidade, mas não entenderam, me disseram que não poderia ser assim, por que muita gente ganha com a copa de futebol, por exemplo, o turismo, as equipes esportivas...
Mas quem ganha mesmo? O pobre ganha o quê? Um emprego temporário? Isso é uma grande ilusão, um jogo para enganar bobos da corte encantados. Cada um ganha a sua parte, a sua esmola e continua tudo do mesmo jeito, todo ano uma esmola. Será que a gente ganha mais com isso ou perde mais por não mudar as coisas radicalmente? Eu posso ser utópica, mas só vejo as coisas piorarem por que cada um só quer garantir o seu mísero pedaço.

A verdade é que temos muito medo de mudar, nem que seja pra melhor. A mudança amedronta, pois com ela vem a necessidade de aprender a lidar com tudo o que vem junto com o novo.

Por mais que doa e que dê medo o melhor seria encarar as novas revelações. Não generalizo, mas acho que vivemos num País de corruptos mas, antes de tudo, vivemos num País de ignorantes e covardes que sonham o ano inteiro com a chegada do próximo carnaval.

Vai bufão, agora sonha com o carnaval 2011 e vai ser bufão a vida inteira.
Por Cintia Liana

Foto: Google Imagens

A banana representa o carnaval e o macaco vocês podem deduzir quem é.

Segundo Wikpédia:
Bobo da corte, bufão, bufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o rei e rainha e fazê-los rirem. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos.
O bobo teve origem no Império Bizantino. No fim das Cruzadas, tornou-se figura comum nas cortes européias, e seu desaparecimento ocorreu durante o século XVII. Vestia uniformes espalhafatosos, com muitas cores e chapéus bizarros com guizos amarrados. Inspirou a 13ª carta do baralho e, nos dias atuais, o famoso vilão, arquiinimigo do Batman.
Por Cintia Liana