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sábado, 20 de março de 2010

Bufões do Carnaval

Foto: Google Imagens


Só pelo fato de ser brasileira e baiana tenho que gostar de carnaval e axé music? Por que sou obrigada? Sou chata por não gostar? Pra mim seria mais fácil achar que sou medíocre se gostasse, acharia que sou comum, a senhorita clichê.

Sim! Já experimentei, fui ao carnaval em cima do trio elétrico, num bloco e camarote, ri, dancei, me diverti, mas viver uma vida inteira fazendo isso todo ano é no mínimo um saco e demasiadamente embaraçante para alguém que preza por ter a consciência expandida.

Uma pessoa que passa a vida inteira fumando, bebendo, freqüentando o bingo e pensando do mesmo modo, com as mesmas idéias e posturas para mim é a mesma coisa de alguém que passa um vida inteira, todos os anos, esperando pelo carnaval, o tal do Trivela, do Ensaio Geral, Bonfim Light, lavagem de não sei o quê, blá blá blá... A cada ano inventam um nome mais “chic” para chamar tal festa popular que é tomada pela burguesia cafona e idiota de Salvador, que paga caro para entrar na festinha, desfilar a roupa da moda, os músculos conquistados na academia, mostrar que bebe whisky importado de R$100,00 e ouvir uma bandinha mais idiota ainda cantar “eu sou do carnaval”, “eu sou feliz”, “eu sou solteiro”, “eu sou baiano”... Que pobreza... E o povão fica de fora, na rua, no meio do lixo, do xixi, por que não é “VIP” e ainda diz que se divertiu.

Que "VIP" nada...! Pessoa importante é outra coisa, é bem diferente de ter dinheiro e estar no "melhor" camarote (nome brega; termo antigo de cunho separatista) ou poder pagar a “melhor” festa. Ser importante está no pensar, no sentir, no mudar. Importante é outra coisa, é fazer diferente, é ter consciência, é saber inovar, ter o que ensinar e estar sempre atento a aprender.

Acontece que esse ano tive o privilégio de passar o carnaval na Itália e amei! Amei não porque me senti uma VIP ou diferente por estar na Europa mas, ou contrário, porque não tive que engolir “guela” abaixo o carnaval do Brasil batendo na minha crítica testa que tinha que “me ver na Globo”, através da mídia, comércio e da sociedade.

Esse ano não ouvi músicas de escola de samba e nem assisti àquele povo dançando na TV como se fosse alguma novidade. Ah, não tive que assistir Big Brother e nem sei quem são as pessoas que participaram e nem se a palhaçada acabou. Melhor ainda, não tive que esperar ansiosamente pelo lançamento e muito menos escutar as “novas” e originais músicas das bandas baianas cantando aêaê, samba aê, rebola aê, quebra aê, rala aê e finalmente bunda aê. Uma criatividade que motiva qualquer erudito.

Falando sério, que delícia não ter que me engasgar com esse desaforo emburrecedor anual! Que bom me dar o direito de não fazer parte deste tipo de “verão”.
Pensando sobre o carnaval e estando longe dele há mais de 10 horas de avião, me conscientizei impactantemente desta grande perda de tempo, uma euforia louca, maluquice, o povo bebendo, se drogando, menores se prostituindo, as mulheres se exibindo, querendo ser as gostosas, os homens igualmente, mostrando os musculos e querendo ser os garanhões, o pobre catando lata, ganhando alguns centavos vendendo cerveja, brigando na rua, o povo fazendo filho, sendo roubado, os empresários ganhando rios de dinheiro, a virose solta no ar e pergunto pra quê?
Não venha me dizer que precisa ver teu ídolo todo o ano em cima do trio e que isso é maravilhoso! Mas você o ama mais que a si mesmo? Isso é mais importante que pensar no sentido de tudo, em como mudar essa sociedade intelectualmente tão pobre?

Maior festa popular do mundo segundo o Guines Boock, a maior concentração de gente nas ruas de Salvador, o que poderia ser um desastre em outra situação, em outro País, mas em Salvador é o carnaval.

No Rio o povo unido na Sapucaí torcendo por uma escola de samba que trabalhou durante todo o ano para competir também tem sua beleza, mas acontece que o carnaval se tornou uma espécie de embriaguês repetitiva e impensada, imposta como normalíssima e necessária, e na verdade é uma droga, uma válvula de escape para uma catarse coletiva, equivocada, mal colocada e alienada. O povo sai do normal e tudo passa a ser brincadeira, todos viram crianças eufóricas, extasiadas com alguns dias onde tudo pode acontecer, tudo é permitido, onde o ego do pai crítico deixa a casa para os ratos fazerem a festa.

Esse ano foi especial no carnaval, me senti desintoxicada, e esse sentimento me trouxe uma espécie de sensação de liberdade, uma libertação de algo pesado e imposto subliminarmente, imposto pela cultura e nível mental de todo um povo e de uma elite que domina perfeitamente a maioria. Pena que para ser livre da imposição do carnaval tive que vir para a Europa ou então teria que ir para o meio do mato e jogar fora o aparelho de TV, mas nem na Chapada Diamantina se pode estar livre.

Já me chamaram de utópica quando um dia falei que achava que o mundo deveria parar totalmente, nada de Copa do Mundo, Olimpíadas ou coisa parecida, que primeiro deveríamos matar a fome do povo; reformar o sistema carcerário; resolver a questão do tráfico de drogas; da segurança pública; da saúde; da educação; construir casas para quem mora nas ruas; encaminhar as crianças abandonadas, que crescem nos abrigos, para adoção; criar empregos; cursos profissionalizantes para os jovens; colocar essas iniciativas como prioridade absoluta e tornar realidade, mas não entenderam, me disseram que não poderia ser assim, por que muita gente ganha com a copa de futebol, por exemplo, o turismo, as equipes esportivas...
Mas quem ganha mesmo? O pobre ganha o quê? Um emprego temporário? Isso é uma grande ilusão, um jogo para enganar bobos da corte encantados. Cada um ganha a sua parte, a sua esmola e continua tudo do mesmo jeito, todo ano uma esmola. Será que a gente ganha mais com isso ou perde mais por não mudar as coisas radicalmente? Eu posso ser utópica, mas só vejo as coisas piorarem por que cada um só quer garantir o seu mísero pedaço.

A verdade é que temos muito medo de mudar, nem que seja pra melhor. A mudança amedronta, pois com ela vem a necessidade de aprender a lidar com tudo o que vem junto com o novo.

Por mais que doa e que dê medo o melhor seria encarar as novas revelações. Não generalizo, mas acho que vivemos num País de corruptos mas, antes de tudo, vivemos num País de ignorantes e covardes que sonham o ano inteiro com a chegada do próximo carnaval.

Vai bufão, agora sonha com o carnaval 2011 e vai ser bufão a vida inteira.
Por Cintia Liana

Foto: Google Imagens

A banana representa o carnaval e o macaco vocês podem deduzir quem é.

Segundo Wikpédia:
Bobo da corte, bufão, bufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o rei e rainha e fazê-los rirem. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos.
O bobo teve origem no Império Bizantino. No fim das Cruzadas, tornou-se figura comum nas cortes européias, e seu desaparecimento ocorreu durante o século XVII. Vestia uniformes espalhafatosos, com muitas cores e chapéus bizarros com guizos amarrados. Inspirou a 13ª carta do baralho e, nos dias atuais, o famoso vilão, arquiinimigo do Batman.
Por Cintia Liana

4 comentários:

Rosa dourada disse...

um bando de alienado,hipócritas manipulados pelas mídias entres elas REDE PLIM PLIM.... NO PRÓXIMO CARNAVAL ME LEVA COM VC assim não aturo a hipocrisia midiática.

Alexandre disse...

como diz a musica do los hermanos "todo carnaval tem seu fim..é o fim..é fim" ainda bem
que tem fim essa grande utopia pseudo cultural brasileira.

Ive Lima disse...

Amiga!!!!!!!!!!!!!
Nesta vc se superou!!!!!!!!!!!
Adorei! Excelente crítica ao que se tornou a festa mais imbecil do Brasil!!!!!

Bjos!

Cintia Liana disse...

Que bom que gostoooooou! Obrigada! Bjs.