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sábado, 19 de dezembro de 2009

Loira e muito inteligente

Foto: Marilyn Moroe. Getty Images. 

Comigo o mito da loira burra virou uma idéia estapafúrdia, ridícula, piada.

Desculpe decepcionar alguns homens mas, para ser bonita não preciso ser burra. Não preciso de homens me paparicando para me sentir linda e importante, não necessito de cavalheirismos baratos, nem ajuda para estacionar meu carro, obrigada.

Lamento frustrar as expectativas masculinas, mas dirijo meu Volvo 2.0, motor turbo, 217 cavalos de potência, melhor que todos vocês, cavalheiros. E não adianta dizer que é carro de homem, pois quando eu comprei não veio escrito isso no manual.

Sou pós-graduada e ganho dinheiro exercendo a minha profissão, a que escolhi para a minha vida.

Brincadeiras e ironias um tanto esnobes à parte mas nós, loiras, sentimos um certo preconceito sim e que só não é pior porque ganhamos cortejos, delicadezas e gentilezas na maneira de nos tratar, mas sentimos que esperam de nós só graça e beleza, mas eu não me contento com isso, eu sou mais, sou garra, inteligência, perspicácia, coragem e agressividade quando necessário.

Descreverei dois conceitos originários de Freud para explicar algumas distorções, conceitos esses que foram motes de uma de minhas três monografias de conclusão de curso apresentadas em 2000 na PUCCAMP, uma das melhores universidades do País, situada em Campinas-SP, maior celeiro acadêmico e de pesquisa da America Latina.

Transferência e contratransferência, instrumentos de trabalho em um processo de psicoterapia psicanalítica individual, também dizem respeito a tipos de vínculos que estabelecemos com as pessoas, que são baseados em padrões que exercitamos durante toda a vida.

Quando conhecemos alguém transferimos para ela um padrão de imagem, isso irá depender de quem essa pessoa nos lembra, com quem esse pessoa se parece e então acabamos por tratá-la e nos reportarmos à ela da mesma forma que tratamos aquelas mesmas pessoas que ela nos faz lembrar. Funcionamos, estimulamos e damos os mesmos tipos de respostas.
Acontece que como ninguém é igual, e muito menos essa pessoa com as quais ela se parece, acabamos por solicitar respostas e formas de se comportar que nem sempre ela quer ou pode dar. Mas se essa pessoa acaba por responder da forma que queremos, porque é levada a isso, chamamos isso de contratransferência.

Por exemplo, um homem vê uma loira linda, que tem um jeito de falar e se expressar assim como uma de suas amigas e ele chega "cheio de graça", desejando que ela se comporte da mesma forma simpática e ingênua que aquela amiga dele. As chances dela dar essas respostas que ele deseja são grandes, por causa dos estímulos que ele emitirá. A loira o tratará bem, será delicada, e educada e isso se chama contratransferência. Ou seja, ela correspondeu às expectativas dele.
Assim acontece com algumas pessoas que se aproximam de mulheres bonitas e loiras e já esperam que ela seja sedutora, fútil, ingênua, meio boba, mas nunca esperam que sejam sérias, competentes e fiéis a seus princípios e ideais.

É claro que todo esse processo ocorre em nível inconsciente.

O mito da loira burra é real e ganhou o mundo graças ao cinema. A literatura afirma que mais exatamente com a bela Marilyn Monroe, diva de Hollywood que interpretou diversas personagens fúteis e sedutoras. Loiríssima que seduz milionários. O filme foi baseado no romance homônimo da norte-americana Anita Loos, lançado em 1925. Anita contava que teve a idéia numa viagem de trem. Enquanto ela, morena, arrastava as malas sem comover a ala masculina, uma loira ao seu lado era paparicada por todos os marmanjos. Hoje o estereótipo é alimentado, em grande parte, pelos homens.

O psicólogo Tony Cassidy, da Universidade de Coventry, na Inglaterra, em sua pesquisa, mostrou que, apesar de preferirem as loiras, eles acham que elas são menos inteligentes. No Brasil, o preconceito sobrevive graças a uma mentalidade branqueadora.
"Nosso ideal de beleza privilegia as mulheres de pele clara e as loiras", diz o antropólogo Renato da Silva Queiroz, da USP. "A lenda da loira burra seria, então, uma espécie de vingança das morenas", diz.

*Segundo o Discovery Channel, a origem do estereótipo de que loiras são burras ocorreu por uma estratégia montada por empresários judeus que objetivavam denegrir a raça ariana, a superioridade da raça branca da ideologia nazista; escolheram uma das atrizes de maior destaque em Hollywood da época, a loira ingênua Marylin Monroe e fizeram uma grande campanha publicitária.

Entendo que deva ser mais fácil se sentir homem ao lado de uma mulher bonita e burra, porque lidar com uma mulher inteligente não é para qualquer homem, só para os de verdade.
Tem que ser muito homem para aceitar a inteligência e sucesso de uma grande mulher, tem que ser muito seguro para se relacionar com uma mulher inteligente e bem sucedida, então, como homens que se prezam estão em extinção, eles insistem em esperar que sejamos burras, mas acabam se frustrando ou nos enxergando da maneira que querem.

Depois chega o tal do Gabriel O Pensador, que se intitula pensador, estampando em seu nome artístico tal adjetivo e faz uma música taxando as loiras de burra. Sei que ele se refere à mulheres em geral, que vivem nos salões de beleza, pintando os cabelos, cuidando da aparência externa, vivendo na alienação da vaidade, mas isso foi prestar um desfavor a sociedade porque reforçou o preconceito frente as loiras e o desejo dos homens em terem mulheres burras com as quais eles poderiam se relacionar, sem medo de se sentirem inferiores.

Comigo a regra ficou louca. Como dizia minha avó, "comigo não, violão!".
Estou aqui para quebrar regras, romper com preconceitos, apreender o novo, ensinar o libertário, lançar desafios e me superar sempre. Adoro ser loira, amo me sentir bonita, mas o meu maior gozo é ser inteligente.
Por Cintia Liana
Foto: Marilyn Moroe. Google imagens.

[Marilyn Monroe, nome artístico de Norma Jean Baker (nascida Norma Jean Mortenson; Los Angeles, 1 de junho de 1926 — Los Angeles, 5 de agosto de 1962) foi uma atriz americana.
É uma das mais famosas estrelas de cinema de todos os tempos, um símbolo de sensualidade e um ícone de popularidade no século XX.
Marilyn começou a carreira em alguns pequenos filmes, mas a sua habilidade para a comédia, a sua sensualidade e a sua presença no ecrã, levaram-na a conquistar papéis em filmes de grande sucesso, tornando-a numa das mais populares estrelas de cinema dos anos 50. Tinha 1,67 m de altura, 94 cm de busto, 61 cm de cintura e 89 cm de quadril. Apesar de sua beleza deslumbrante, suas curvas e lábios carnudos, Marilyn era mais do que um símbolo sexual na década de 50. Sua aparente vulnerabilidade e inocência, junto com sua inata sensualidade, a tornaram querida no mundo inteiro.]
Fonte:Wikipédia
Mote:
1. LITERATURA pensamento expresso em um ou mais versos para ser desenvolvido na glosa;
2. tema; assunto;
3. epígrafe;

Estereótipo:1.chapa ou clichê usado em estereotipía.
2.trabalho impresso por meio de estereotipía.
3.modelo conceitual rigido que se aplica de forma uniforme a todos os indiviuos de uma sociedade ou grupo, apesar de seus matizes e divergencias.
Fonte: Dicionário Informal



Por Cintia Liana