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terça-feira, 6 de abril de 2010

Gente "Batidinha", Hábitos Horrorosos

Foto: Pin Up. Google Imagens.


Olá!

No post anterior eu falei que a frase "para mudar a sociedade devemos começar mudando o nosso próprio comportamento", é muito medíocre, que é uma frase bem "batidinha", que é falada ou que deve ser falada somente para pessoas bem ignorantes, de um nível bem baixo, incluindo os de classe econômica alta, pois baixo nível está na alma. E não é nada difícil encontrar gente assim.

Dei alguns exemplos de falta de educação, mas agora trago uma lista completinha de coisinhas bem repugnantes que vi na internet. Um bom e-mail.

Digo repugnantes porque eu não tolero e nem faço. Não faço mesmo porque, se não, sentiria raiva de mim mesma. O que para alguns seria natural para outros dá raiva. Não acho que ninguém tenha que adiantar seu próprio lado, nem passar na frente da fila só porque ninguém está olhando ou porque tem a certeza que seu dinheiro lhe dá pretígio. Isso não faz sentido, mas para sentir isso tem que amadurecer.
Foto: Google Imagens

Essa frase "batidinha" deve ser falada por e para gente igualmente bem "batidinha", gente comum, que não tem consciência de que deve ser ético antes de tudo consigo mesmo e não só esperar dos outros.

Temos que estar mais atentos ás necessidades do planeta, sensível à situlidade e reconhecer a vulgaridade e a futilidade.

Comecemos:

"O brasileiro é assim:
1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. - Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.
8. - Viola a lei do silêncio.
9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
13. - Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.
14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
21. - Compra produtos pirata com a plena consciência de que são piratas.
22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
26. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos...
Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!
Espalhe essa idéia!"

"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."

Acrescento:
Fala da vida dos outros, julga, calunia, difama, faz as mais diversas fofocas.
Gasta água em excesso.
Gasta energia elétrica a vontade.
Ouve som alto sem se preocupar se o vizinho se sente incomodado.
Se você já passou desta fase ou está quase lá não se acomode, agora vá para o próximo estágio, o de ajudar o mundo, faça um trabalho social, ao invés de criticar quem fala, quem denuncia e quem faz.
O mundo agradece de forma mágica, só basta ter sensibilidade pra sentir.


Postado Por Cintia Liana

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O glamour dos médicos do novelista Manoel Carlos

Foto: Google Imagens

Não é a primeira e nem a segunda novela de Manoel Carlos em que ele coloca os médicos como semi deuses, ou melhor, como deuses, sem nenhum exagero da minha parte e o mais interessante é que o diretor da clínica sempre é o tal do “Dr. Moretti”. Que fixação!
O “ato médico”, como projeto de Lei, acabou de ser votado na Câmara dos Deputados e enviado ao Senado Federal, o qual deflagra um absurdo abuso de poder, ferindo os princípios do SUS, a autonomia das profissões e limitando o exercício dos demais profissionais de saúde.
Sou a favor da regulamentação da profissão médica, mas não que os médicos possam ganhar a autoridade de interferir em decisões de outros profissionais de outras áreas da saúde, nas quais eles não têm competência, nem conhecimento técnico. Eles poderão indicar ou contra indicar o tratamento numa área de saúde na qual eles ignoram totalmente, pois não estudaram, não fizeram uma faculdade para isso.
Ele não é o grande poderoso das áreas, não estudou todas as disciplinas de saúde, não entende mais que os outro de saúde humana, só mais que o veterinário, pois este cuida dos outros animais, dos de quatro patas, marinhos, aéreos...
Quando falamos de saúde, não podemos nos reportar somente ao corpo e nem a meros procedimentos convencionais. Têm procedimentos hospitalares que os endeusados ignoram, pois são de competência de outras áreas acadêmicas.
Temos que chamar de doutor? Quem fez doutorado? Não fizeram? Mas tudo bem, então chamemos a todos de doutor, uma República completa! Todos os outros profissionais enfermeiros, assistentes sociais... Vamos chamar por respeito ao profissional no contexto clínico, hospitalar, jurídico, como os de escola, onde chamamos todos de professor.
Solicitações corriqueiras, mas direitos iguais para todas as formações profissionais, pois somos todos necessários e importantes e e essa história de ser VIP é a coisa mais brega que já vi!
Vocês sabem o que é VIP (Very important people)? É bem cafona. Depois escrevo um artigo sobre isso.
Quando me chamavam de doutora ficava um pouco constrangida, mas entendi que são demandas naturais do contexto clínico e jurídico, afinal como chamariam uma especialista senão de doutora? Mas poderíamos inventar um termo mais adequado e justo para especialistas e não acho, de jeito algum, que um doutorado seja uma formação superior a esta, são coisas diferentes e ambas têm seu valor.

Deixo claro que não se trata de desvalorizar os médicos, eles são muito úteis, a medicina é necessária, mas é de colocá-los em seus devidos lugares, sem supervalorizá-los fantasiosamente e não deixar que diminuam ou simplesmente excluam os outros profissionais, tão competentes e necessários quanto eles no contexto de saúde.
Simplesmente o autor novelesco parece estar alheio a tudo, dando cada vez mais destaque ao médico na novela, insistindo em colocar o sujeito como o centro das atenções e fazendo o público ouvir exaustivamente frases ridículas como:

“Só médico entende esses termos” (Será que ele nunca ouviu falar em fisioterapeuta?)
"Médico não tira férias, vai a congresso" (Que ilusão...)
“Tem que estudar muito para ser médico” (Só para ser médico tem que se estudar muito? Será?)
“Um médico não para de estudar nunca” (Só o médico? Para não ser um profissional medíocre não se deve parar de estudar nunca!)
“Eu posso, eu sou médico” (Que poder é esse?)
“Médico não tem tempo pra nada” (Que mito! E os jornalistas?)
“Ele é médico, ele sabe o que fala” (Todos os médicos sabem o que falam? Tem certeza? Só acredito se você for médico!)

Com todo respeito aos médicos, inclusive a muitos queridos amigos meus, alguém diga, por favor, ao Manoel Carlos, que só em suas novelas os médicos sabem tudo. Ninguém sabe tudo! Nem Albert Einstein ou Sigmund Freud. Ninguém!
Manoel Carlos tem que conversar com João Ubaldo Ribeiro*, que em seu novo romance, “O Albatroz Azul”, escreve um interessante e inteligente capítulo, onde tem, entre outros personagens, uma parteira e um médico.
A medicina tem que sofrer um abalo, ser reciclada, pois do contrário certamente esta ciência ortodoxa estará falida. O povo está acordando, conhecendo o viés da indústria farmacêutica, entendendo que a saúde é reflexo do alimento e que a qualidade de nossas emoções e sentimentos trazem conseqüências ao nosso corpo físico.
As novas tendências da medicina estão aí, mas nem todos os seres endeusados médicos estão acompanhando.
Cada vez mais encontramos pessoas buscando outros meios de tratamento. Talvez seja por isso esse desejo de dar mais poder ao médico com esse projeto de lei, por saberem que boa parte da ciência médica ainda se refere a uma visão arcaica e ultrapassada do humano, carente de reformulações, que não está acompanhando justamente a evolução das descobertas e que muitas dessas descobertas ainda estão respaldadas somente e absolutamente no equivocado método científico, o método ocidental.
O paradigma ocidental tem como base as noções de validade, controle, predição, neutralidade, num laboratório artificial e controlado e procedimentos experimentais que possam garantir um processo livre de contaminação proveniente dos processos subjetivos. É uma empresa praticamente alienada aos processos sociais, econômicos, culturais, políticos e ideológicos. Para tornar algo “científico” é necessário passar por um crivo rigoroso. Certas verdades sutis se perdem nesse processo, pois não conseguem dar conta de serem mensuradas pelas bases do paradigma ocidental
A medicina não trabalha com a subjetividade, aspecto essencial para o tratamento de qualquer coisa quando falamos de ser humano, ser tão complexo.
Torna-se impossível, neste momento, conceber a subjetividade dentro das perspectivas científicas ocidentais, tendo em vista o nível em que esses paradigmas científicos ainda se encontram em pleno século XXI. Concordando com Edgard Morin, percebo que o momento vivenciado é mesmo o da pré-história do pensamento Humano.
Algumas pessoas ainda estão fixadas em suas idéias e fantasias infantis e dão a impressão de que não cresceram, não transcenderam. A visão que o novelista tem dos médicos é no mínimo infantil, direito dele, mas que não faça o povo brasileiro engolir isso.

Muuuuuuito bom: *João Ubaldo Ribeiro. O Albatroz Azul. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

Por Cintia Liana